(sounds of someone i love who's going away and it doesn't matter)
tudo aquilo passou, como um filme. e agora não há mais chão nenhum, nenhuma realidade triste para me manter sonhando alto demais. só consigo pensar em nuvens azul-céu-de-neon, com estrelas penduradas, cuspindo glitter, que, de tão leve, acaba aderindo às membranas celestes, sem chover.
(como um sonho não-realizado, algo assim, não sei, talvez menos triste do que parece.)
afinal, eu não me sinto triste, ao menos não por mim: o problema é ele, que continua com aquele ar de menino-sozinho, mesmo com ela segurando sua mão. ela não segura direito. ela é volátil demais, mas apenas por fora; ele é o contrário: discreto e uncomplaining como uma árvore, mas volátil por dentro, frágil demais, uma folha de papel de arroz. não se pode tratá-lo assim, deve-se segurá-lo com as duas mãos, e bem próximo, tendo o cuidado para não quebrar suas asas de colibri -- do contrário, ele fará o que ele faz, agora; ele se finge de paisagem, se fecha em um círculo sozinho, nunca está onde deveria estar.
não por mim, nunca mais por mim, mas por ele; por ele ainda estar tão sozinho.
eu poderia ter feito alguma coisa, mas ela chegou primeiro, e sem compreender nada. quem sabe ela aprenda a tempo, e ele fique finalmente bem. espero que sim, espero realmente que sim. que ela não o machuque, e nem o contrário.
não faz sentido, eu sei, mas é que ele é tão parecido comigo que ás vezes eu nos confundo, e isso quer dizer que, se ele encontrar uma pessoa que o trate do jeito certo e faça sorrir aliviado, como se nunca tivesse havido nenhuma dor em toda a história do mundo, então é porque eu também tenho uma pequena chance. enfim.
Current Music: air a danser . penguin cafe orchestra